Estive em Piracicaba a convite do Coletivo Beira Rio/Movimento Salve a Boyes e do PlanejaPira para conhecer o complexo Boyes e participar de uma roda de conversa sobre os desafios da preservação desse importante patrimônio da cidade.
O encontro reuniu representantes da sociedade civil, pesquisadores e profissionais de áreas como arquitetura e urbanismo, história, agronomia e planejamento urbano para discutir como os instrumentos de preservação e o planejamento das cidades podem contribuir para proteger um conjunto que reúne patrimônio industrial, ambiental, paisagístico e cultural.

A antiga fábrica Boyes foi construída para dar suporte ao Engenho Central, produzindo os sacos de algodão utilizados no armazenamento do açúcar. Juntos, esses espaços contam uma parte importante da história da industrialização paulista e da formação de Piracicaba.
Além de seu valor histórico, o complexo integra uma das mais belas paisagens urbanas do interior paulista. Diferentemente do que ocorreu em muitas cidades brasileiras, Piracicaba preservou uma relação muito próxima com seu rio. Suas margens continuam sendo espaços de convivência, cultura e lazer, fortalecendo a identidade da cidade e a conexão da população com o Rio Piracicaba.
Esse patrimônio, no entanto, está ameaçado por propostas que preveem a demolição de parte dos edifícios para a construção de empreendimentos imobiliários. Diversas entidades defendem que o conjunto seja reconhecido e protegido também pelo CONDEPHAAT, preservando sua integridade e sua importância para a história do Estado de São Paulo.

Mais do que preservar edifícios isolados, trata-se de proteger um conjunto único, formado pelo Rio Piracicaba, pelas áreas verdes, pela paisagem e pela arquitetura industrial. O Engenho Central, a antiga fábrica Boyes e a Rua do Porto constituem, por natureza, um grande complexo cultural, turístico e ambiental, com enorme potencial para fortalecer ainda mais a vida urbana e o turismo na cidade.
Preservar esse patrimônio não significa deixá-lo parado no tempo. Pelo contrário. O desafio é encontrar novos usos que o integrem à vida da cidade, respeitando sua história e seu valor cultural. Esse é um debate que deve envolver a sociedade, o poder público e os proprietários, construindo soluções capazes de conciliar preservação, desenvolvimento e interesse coletivo.
O futuro do complexo Boyes será um importante sinal de como escolhemos tratar nosso patrimônio. Preservar esse conjunto significa manter viva a memória da industrialização paulista, proteger uma das mais belas paisagens urbanas do interior do estado e garantir que as próximas gerações continuem desfrutando de um espaço onde patrimônio, rio e cidade convivem em harmonia.